Não há nada mais revelador sobre o caráter de um político do que a forma como ele reage quando o povo bate às portas da prefeitura. Em um cenário onde a autoridade deveria ser sinônimo de escuta, o que se vê, com frequência alarmante, é a truculência mascarada de autoridade. Cenas de deboche, sorrisos cínicos e arroubos de petulância diante de reivindicações legítimas por salários (servidores), asfalto, água ou saúde não são apenas falhas de etiqueta; são a senha oficial para o fracasso eleitoral.
A Covardia do Silêncio e o Escudo dos “Guarda-Costas”
O fenômeno mais curioso — e perverso — dessa dinâmica é o sumiço estratégico da figura principal. No momento em que a população humilde clama por uma explicação, quem deveria “dar a cara” se esconde em gabinetes climatizados. Em seu lugar, ficam os guarda-costas e assessores, que, munidos de uma autoridade delegada e mal compreendida, “arrotam” arrogância e tratam o cidadão como um intruso em sua própria casa.
“O político que se desfaz das pessoas humildes hoje, é o mesmo que precisará apertar a mão delas amanhã em busca do voto. A memória do povo é curta para promessas, mas é implacável com a humilhação.”
A Petulância como Estratégia de Defesa
A petulância é o refúgio dos incompetentes. Quando faltam argumentos para explicar por que uma obra parou ou por que o DAE não entrega água na periferia, resta ao político o ataque pessoal ou o desdém. Esse “arroubo” de quem se sente intocável é uma ilusão perigosa:
- O Deboche: Deslegitima a dor de quem sofre com o buraco na rua ou a falta de remédio ou melhores vencimentos.
- A Truculência: Tenta silenciar a crítica pelo medo, ignorando que o medo no plenário se transforma em indignação na urna.
O Povo Exige Respeito, Não Favor
É preciso recordar à classe política — de Bauru a Marília, de São Paulo a Brasília — que o atendimento em uma prefeitura não é um favor prestado pelo gestor, mas um direito de quem paga o salário de toda a máquina. Quando um secretário ou assessor trata um morador com soberba, ele está, na verdade, assinando a rescisão de contrato de seu grupo político com o futuro.
Conclusão: O Brasil não tolera mais o “coronelismo de gabinete”. Quem se esconde atrás de seguranças para não ouvir o povo, ou quem permite que seus subordinados destratem a simplicidade de quem reivindica, já começou a perder a próxima eleição. Menos arroubos, mais trabalho. Mais humildade, menos deboche. Mais respeito com o povo.


